
Com uma boa conversa com o seu parceiro você descobrirá que o sexo não acabou
Atualmente temos no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística -IBGE, cerca de 14,5 milhões de idosos que correspondem 8,6% da população total do país. E esse número pode crescer ainda mais nos próximos anos. Estima se que com as melhorias na saúde e condições sociais da população, em 2020, teremos no Brasil mais de 20 milhões de idosos. O que representaria 13% do total de brasileiros. E esses dados do IBGE acabaram chamando nossa atenção para essa matéria e assim, descobrimos que o sexo na terceira idade pode ser algo primoroso e tão bom, para os idosos, como se estivesse no auge das funções hormonais.
Todos os dias, Glória Fonseca, professora aposentada uma tradicional faculdade de São Paulo, se levanta da sua enorme cama, às seis e meia da manhã. Vai até a padaria da esquina, compra seu pãozinho e volta para casa onde côa um gostoso café, senta em frente à televisão e toma uma gostosa caneca de café com leite e come seu pão com manteiga e assiste o jornal matutino. Isso já é rotineiro há anos na vida de Dona Glória. Numa disposição de invejar muito jovem por aí ela nos conta um pouco da sua vida e claro, a parte que nos interessa, ela fala do sexo com um excelente humor e espontaneidade.
Há quinze anos Dona Glória ficou viúva e a partir daí, decidiu que jamais teria outro marido em sua vida. Apenas um namorado, e se tivesse. “Quando fique viúva há quinze anos voltei a viver”, diz com uma gargalhada sem igual. “Fiquei trinta anos casada, dediquei toda minha vida, fiz o que pude para o meu marido. Agora voltei a cuidar de mim”, completa. Dona de uma simpatia impar ela conta que sempre gostou de sair para dançar um bom bolero com as amigas de mesma idade em uma casa especializada nesse tipo de público e lá acabou conhecendo o senhor Armehd, um descendente de árabes que veio ainda criança para o Brasil e se apegou aos costumes locais. “Fui para a seresta com a Maria, uma amiga e confidente, e chegando lá acabei encontrando Armehd, nossos olhares se cruzaram e eu, sem conter minha emoção acabei piscando meu olho para ele. Eu não sabia mais como paquerar, mas acho que nunca desaprendemos, deve nascer e morrer com a gente”, explicou nossa querida personagem com brilho nos olhos.
“Fui dominada por um brilho no olhar, sentamos numa mesinha mais reservada e resolvemos conversar. Dançamos muito. E no final ele se ofereceu para me levar para casa. Trocamos telefones e daí então um namoro começou a acontecer”.
Dona Glória me revelou que estava um pouco insegura, não sabia o que realmente queria, não tinha certeza do que queria. “Senti-me uma adolescente, revivi meus quinze anos novamente, confesso que é uma das melhores sensações que sentimos na vida”. Completa mais uma vez sorrindo. Minha conversa com Dona Glória foi me deixando curioso, até que eu perguntei vermelho, como é a relação sexual dela com o Sr. Armehd. Ela ficou corada, deu um gole na sua caneca de café e me disse; “Depois de algum tempo sem fazer sexo pensamos que não damos mais para a coisa, que somos fracos e tal. Mentira, com a ajuda da minha médica eu pude sentir todo o prazer que sentia quando ainda era uma mocinha. Lógico que existem algumas limitações, existem pessoas e pessoas. Posso dizer que meu parceiro ainda dá conta do recado”.
O terapeuta sexual Júlio Bellomonte explica que na terceira idade o corpo sofre algumas modificações e alterações. Por exemplo, no homem, caem as taxas de testosterona e de dopamina que são neurotransmissores na resposta sexual e ao mesmo tempo a produção de prolactina, hormônio que bloqueia o desejo sexual, aumenta consideravelmente. Causando assim, uma perda do desejo sexual nos homens. Já nas mulheres a diminuição do desejo sexual começa entre os 48 e 51 anos com a chegada da menopausa, que nada mais é que o fim da menstruação e fim da capacidade de reprodução feminina. E essas mudanças podem causar diminuição do apetite sexual feminino. Celso explica que nem tudo esta perdido, não é o fim do sexo “Conseguir manter o cônjuge interessado é o grande segredo de ter uma vida sexual mais longa e ativa”.
Dona Glória fica mais a vontade e pergunto como é a vida do namorado com ela; “Nos vivemos cada um na sua casa. Ele também é viúvo e cuida dos negócios da família. Saímos sempre para viajar, bons restaurantes bons lugares. Acho que isso potencializa nossa vontade sexual. Não é todo dia que transamos. Geralmente uma ou duas vezes por semana.”, completa. E aos poucos vão aparecendo as limitações e as restrições que são facilmente dribladas; “minha lubrificação não é a mesma, uso alguns produtos para que eu me sinta mais a vontade e ele, nunca precisou de remedinhos ele sempre dá conta do recado”, completa a gargalhadas.
Para que o sexo seja bom algumas adaptações são necessárias. O importante é saber o que dá mais prazer ao seu parceiro, algumas coisas do passado podem não mais fazer efeito hoje. E é muito importante que o casal não tenha medo de conversar e fazer o possível para se adaptar as mudanças de sensibilidade. Deixe bem claro para o seu parceiro o que você pretende e fique atento as resposta que ele dará. A imaginação ajuda e muito a melhorar a sexualidade dos casais, faça carinho, massagem, use um óleo. Ouse e terá uma resposta positiva do seu parceiro. Por tanto o preconceito e a falta de informação atrapalham a evolução sexual e a idéia de que sexo só faz parte do universo dos jovens não pode fazer parte do pensamento dos maduros. E o sexo sem dúvida é algo muito bom para a terceira idade, fazendo que as funções corporais sejam despertadas, melhorando até mesmo a circulação.
Dan Beligoli


